Exposição ”Terecô” retrata a magia dos tambores codoenses
Enviado em 12 de junho de 2012

O fotógrafo Márcio Vasconcelos está com exposição intituladaTerecô – A Magia dos Tambores da Mata Codoense, na Casa de Museu Casa de Nhozinho (Centro Histórico). A iniciativa é resultado de projeto aprovado no Edital Universal de Apoio à Cultura Maranhense. O público pode conferir o trabalho do artista de terça-feira a domingo, das 9h às 18h.
A exposição de Márcio Vasconcelos destaca o misticismo da cidade de Codó e seus cultos à religião de matriz africana, a qual ganhou a denominação de terecô. Ao mesmo tempo, ele apresenta em forma de fotografiaa maior festa da umbanda no Maranhão, promovida pelo Mestre Bita do Barão de Guaré.
“Este projeto é baseado em pesquisa e documentação fotográfica sob a forma de ensaio artístico, durante todo o ciclo do festejo dos santos e orixás da Tenda Espírita de Umbanda Rainha Iemanjá, de propriedade do sacerdote Bita do Barão, um dos mais influentes babalorixás do Maranhão”, disse Márcio Vasconcellos, referindo-se à festa religiosa que ocorre anualmente no mês de agosto, em Codó, município conhecido como cidade mundial da feitiçaria.
Rituais – Além do terreiro de Bita do Barão, foram pesquisados e fotografados rituais e celebrações em outros templos de semelhante importância dentro do culto afro maranhense, a exemplo das casas de Maria do Santo, Domingos Paiva, Aluízio Mota e o terreiro de Irene e Ivone Moreira, no povoado quilombola de Santo Antônio dos Pretos, o qual, no dia dedicado a Santo Antônio, promove grande festa em homenagem ao padroeiro do lugar.
O fotógrafo Márcio Vasconcelos é profissional independente há mais de 20 anos e há quase uma década se dedica ao registro das manifestações da cultura popular e religiosa dos afro-descendentes no Maranhão. Ele editou na forma de livro, o projeto NagonAbioton – Um Estudo Fotográfico e Histórico sobre a Casa de Nagô, aprovado na Lei Rouanet e no Programa Petrobras Cultural (2009). O trabalho é um ensaio sobre um dos terreiros mais antigos do tambor de mina no Maranhão.
Vasconcelos foi vencedor do I Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras (2010), pela Fundação Cultural Palmares/Petrobras, com o projeto Zeladores de Voduns do Benin ao Maranhão. A exposição mostra as semelhanças entre sacerdotes de culto a voduns na África e no Brasil. O fotógrafo também foi vencedor do XI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia com o projeto Na Trilha do Cangaço – Um Ensaio pelo Sertão que Lampião pisou. Com o mesmo projeto, foi finalista do prêmio Conrado Wessel 2011.
Origem do culto tem a marca da diversidade
Terecô, conforme a pesquisa da antropóloga Mundicarmo Ferretti, é a denominação dada à religião afro-brasileira tradicional de Codó; também conhecido por encantaria de Barba Soêra ou Bárbara Soeira (entidade sincretizada como Santa Bárbara) e por tambor da mata, ou simplesmente mata (em alusão a sua origem rural ou para diferençá-lo da mina surgida na capital). “Embora o terecô tenha se originado de práticas religiosas de escravos das fazendas de algodão de Codó e de suas redondezas, sua matriz africana é ainda pouco conhecida”, destaca Ferretti em sua pesquisa.
No terecô, ainda segundo Ferretti, geralmente pais e mães de santo são também curadores, embora existam na região raizeiros, preparadores de mezinhas, que são ali mais conhecidos por cientistas (doutores do mato) do que por terecozeiros, macumbeiros ou umbandistas. Em Codó, tanto no passado como na atualidade, alguns deles ficaram também famosos realizando trabalhos de magia por solicitação de clientes ávidos por vingança ou outros fins dispostos a pagar elevadas somas, o que lhe valeu a fama de terra do feitiço.
Nesses trabalhos e práticas terapêuticas, ainda de acordo com a pesquisa de Mundicarmo Ferretti, os terecozeiros associam à sabedoria herdada de velhos africanos conhecimentos indígenas, práticas do catimbó, da feitiçaria europeia e que também se apoiam no tambor de mina, na umbanda e na quimbanda. No Terecô, como, no tambor de mina, as entidades espirituais são organizadas em famílias, sendo a maior e mais importante a da controvertida entidade espiritual Légua Boji Boá da Trindade, apresentado em Codó como príncipe guerreiro, filho de Dom Pedro Angassu(conhecido em São Luís como o representante de Xangô na mata e como preto velho angolano. Légua Boji é também apresentado em terreiros da capital maranhense como vodumcambinda (Casa das Minas-Jeje), ou como um misto de Légba(Exu) e do vodum jeje Poliboji.
Fonte: Reprodução: O Estado do Maranhão

